Estalar o Verniz

Segunda-feira, Outubro 24, 2005

Perfumes, sabores, sons, momentos e alguns instantes

Ainda tenho colado à memória o cheiro a espuma de barbear do meu Pai quando me ia acordar de manhã, o salame de chocolate com uma pinguinha de vinho do Porto da minha avó Bárbara, um beijinho na testa a minha Mãe, o sabor da calda de pimentão da Pur na sua casa da Graça no último andar a ver uma nesga do Tejo. O cheiro a terra molhada faz-me sempre lembrar o Casal do Meio (se bem que a minha avó Inácia não goste nada que eu diga que goste deste cheiro), Peter Murphy é a cara da minha Amiga Tânia, o cheiro a cerveja uma Queima das Fitas em Coimbra há alguns anos atrás, Mustela a minha irmã, os Cous Cous a Mouraria, Angel a minha Amiga Isabel.

Ainda trago na boca o sabor amargo do Adeus do Guilherme, enquanto tocavam os sinos da igreja , quando coço a cabeça do lado esquerdo, mas com a mão direita, lembro-me do meu Amigo Ricardo, o barulho dos saltos altos numa rua deserta a minha avó Inácia a caminho da missa às 8h15 de domingo, Frangélico a Ana, os pinhões um enjoo de sabor depois da barrigada na Mimosa, o chiar dos baloiços a minha infância, o tic-tac dos relógios quando dormia em casa dos meus avós, os waffles de chocolate a Cassata, ovos mexidos com fiambre e batatas fritas os meus domingos a ver McGyver.

Coco a praia, pesto o Fabrizio, o Chance da Channel a Mary, algodão doce a euforia do Circo… o “teu” cheiro quando me abraças e me dizes que serei tua para sempre.

P.S. Tudo isto porque, ontem, o meu amigo Ricardo disse que se lembrava de mim quando ouvia aquela música de um cantor inglês com um sotaque estranho. Ele queria dizer Man At Work, "Down Under".

1 Comments:

  • At 1:20 PM, Anonymous Anónimo said…

    lol, "down under" hein?????? malandra!!!!

     

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